Sentada naquele passeio de esquina com pontas amareladas, ela estava. Com suas meias coloridas (ela a-do-ra-va!). Balançou seus pés umas duas vezes, acho que por estar apreensiva por algum motivo (desculpe, ela não quis me dizer o que era). Passou um moço, e ela perguntou: hey, que horas você tem aí?Ele olhou no relógio. Olhou para ela, mas suas meias eram tão chamativas que ele se perdeu em seus pensamentos e perguntou-lhe: desculpe, o que você me perguntou mesmo?
E ela meio impaciente repetiu: eu perguntei que horas você tem aí!
Ele enrugou as sobrancelhas, olhou seu relógio mais uma vez e disse: oito para mais tarde.
Ela, por sua vez, enrugou a face inteira, curvou o rosto e retrucou: o quê? Não entendi muito bem o que o senhor quis dizer. O senhor sabe olhar as horas?
Ele deu uma gargalhada meio baixa (sabe aquela vontade de rir alto?) e disse: eu entendi, você perguntou que horas eu tenho AQUI, em mim, e eu disse - oito para mais tarde. Faltam oito minutos para algo que eu tinha que fazer mais tarde, mas se você continuar me atrasando, não sei quantos minutos restarão até lá.
Ela ficou com os olhos arregalados, agradeceu-lhe e em seguida, levantou-se do passeio (é, aquele das pontas amareladas), foi andando no asfalto solitário. Com o passar de uns instantes (não sei a precisão da hora, isso ela também não me disse), deu de ombros e falou alto para consigo mesma (penso até que ela quis uma afirmação nesse momento): é, talvez, agora, já sejam três. Três para o meu mais tarde. Mais tarde. Mais! Tarde.
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