Já era tarde, eu sabia. Olhei o relógio e vi: 01:01. Não que horários iguais me encantem os olhos, mas é automático, pensei: alguém está pensando em mim.
Mas, logo em seguida, outra parte de meus pensamentos respondeu: Será mesmo que alguém pensaria em ti?
Fiquei um tempo parada, e minha ação conseguinte foi olhar o relógio mais uma vez. Já eram 01:04. Meu pensamento deu tantas voltas, e poucos minutos se passaram.
Você deve está pensando, então, no que eu pensei. Ou, talvez, por onde meus pensamentos andaram. E eu não sabia te dizer. Discorrer seria impossível: pensamentos rápidos, além da minha formação de palavras. E, claro, minhas palavras aquém do processo efêmero dos meus pensamentos.
Agora, por exemplo, estou olhando minhas unhas. Há uma falha em uma delas, desnivelando aquilo que eu considerava perfeito. Esvaiu-se a sintonia, compreende?
Mas, melhor parar. A quem quero enganar? Pra onde quero fugir? Estou com medo de não ter ninguém pensando em mim. Ou melhor: estou com medo de ficar sozinha. Ou seria pior?
Na realidade, preciso te dizer, meu maior medo é de ter alguém. De dar certo com alguém. Sou esquisita, sou atípica - tenho medo da felicidade! E não por ser feliz, mas por, talvez, não saber como horas iguais, clichê, senso comum e todas as banalidades que vivemos e convivemos possam entrelaçar-se e viver no amor e na felicidade.
É isso! Mas, agora, não adianta-me mais nada, peguei o celular e olhei, 01:11. Está na hora de dormir.

Rapaz, você não é muito certa das ideias não rsrs. Agora eu entendo pq Tarsila é assim.
ResponderExcluirÓtimo Texto, Anna!