A gente sempre acha que, por algum motivo, sentimento tem que tá atrelado a tempo. "Olha, eu amo fulano. Estamos juntos há três anos". Ou então: "Ah, minha vida é sicrano. Há dois anos e sete meses que não nos desgrudamos. E tem essa também, que eu achei lendária quando ouvi: sou louca por ele, depois que você supera os sete primeiros meses, tudo vira flores.
É estranho pensarmos que sentimento se associe diretamente ao tempo. Pra mim, isso se tornou um pouco diferente. Sentimento é aqui, é a circunstância, é a intensidade, é a afinidade, é "o jeito" (tem gente que tem, é incrível), é "o dom". E não tem essa de: "tem gente que não nasceu pra gostar/adorar/amar". Todo mundo nasceu pra isso! Mas também, pra odiar, detestar, encabular, mentir, omitir, implicar. E, até mesmo, para os dois. Sem perder o foco, ainda acho que tempo e sentimento não são diretamente interligados. Digamos que o tempo é um tempero do sentimento. E isso de forma proporcional e/ou desproporcional. Aí, meu caro, não é mais questão nem de tempo e nem de sentimento, e sim do advérbio. É! Ou da locução adverbial, você quem decide. O que entra em questão agora é a circunstância. E, ao meu ver, ela é fundamental.
Tá na moda agora dizer que se banalizou o amor. Engraçado, é que tem nego que ainda diz: tem gente que te conhece agora, cinco minutos depois tá te amando. Mas, há também quem diga: ele/ela demorou tanto de dizer que me amava. Já percebeu, não é? Nunca estamos satisfeitos.
Fico um pouco confusa com as necessidades humanas. Suas percepções, seus desejos, seus almejos, seus objetivos. No que diz respeitos aos sentimentos, é claro!
Tenho dificuldade com as palavrinhas mágicas (eu _ _ _ você). E sem aquela coisa de "permitir a participação do eu-lírico de forma indireta" - aqui tá mais do que direta. E não só com elas! Tenho dificuldade em definir sentimentos, sensações. E tudo isso por causa de outras sensações (complexo, eu sei). Insegurança, medo. Ih, devaneei! Sabe como é, né? Essa coisa de sentimento é complicada. Lembrei da Tati Bernardi agora ao falar que "amor não se pede, amor se declara". E como ele já sabe disso - e, por favor! sem pânico - estou aqui para declarar. Desejar. Gostar. E, quem sabe um dia, amar. E aí, são só os "-ar". Quero mais é viver, transcender, sorrir, sentir. Você. Eu. Nós.

Definir sentimentos é realmente uma coisa MUITO complicada. O bom mesmo é sentir, se permitir, curtir. E não tem jeito, definido ou não, o amor - ou paixão - é o tempero perfeito pra devanear. Bom desabafo, Anna. Gostei dessa pegada reflexão, vocÊ devia fazer mais isso.
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