[...]
Mas, de que diabos eu estava falando mesmo? Sim, de D. Maria. Ao, menos, deveria ser dela. Meu menino não queria abacates - e se quisesse, eu não saberia. Ele queria confirmações. Certezas. Disciplinar-se em línguas. Verde, branco e vermelho. Verde, amarelo, azul e branco. Mas que danada de mistura é essa? Não sei. Ele é assim. Quem sabe até ele quisesse apenas tomar posse do que fora dele. E que continuasse sendo, mas que por alguma razão, ele pensou que houvesse se esvaído. Imagine só que (pausa - estou em risos contidos) ele tivesse um leve relapso ao dizer que alguém fosse dele. E fosse! Ou melhor, e é. Presente, por favor. Tanto quanto a sintaxe quanto o literal. O que é seu não há mudança. Mesmo que haja um casamento contra sua vontade.
E ao se tratar de casamentos, já não lembro mais de D. Maria. Lembro de mim. E sempre me vem um vestido tomara-que-caia que realce meus seios, um salto fino de brilho único, e uma maquiagem radiante. Estaria eu, talvez, com um buquê mais lindo ainda. Não tão lindo quanto quem me esperasse do outro lado, lá no altar. Buquê me lembrou janela, janela lembrou meu menino.
Ele não me olha na janela. Isso soa um tanto quanto esquisito. Eu que estou a olhar, agora, lá fora. A janela em seu formado bonito, com cores acinzentadas (gosto de cinza, inclusive), e seus traços que não permitem um acesso livre. Estou bloqueada. Presa em minha própria liberdade!
E não posso mesmo ser livre. Ele me pegou! Ele nem sabe a representação contrária de livre e preso que causa em mim, mas causa. Sempre causou. Desde seu início com jeito esquisito e autista de ser. Sua implicância. Suas saídas à escola de noite. Noite. E eu toco, e eu sinto. E eu disse que sentaria, não é? E me toco outra vez. Porque queria senti-lo, tocá-lo. Tê-lo.
Ai, meu menino. Mal sabia você que o tempo inteiro, não era o meu menino. Eu quem era a menina dele.

Nenhum comentário:
Postar um comentário